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sábado, 23 de abril de 2011

Cristianismo Radical - Brava Gente Brasileira - por Eliasaf de Assis

Descobrindo entre os marginalizados e miseráveis o que realmente significa seguir a Cristo
Nota da Redação: O artigo a seguir descreve um trabalho singular desenvolvido numa região decadente do centro de São Paulo. Há extensas citações do Pr. Paulo Cappelletti, presidente da missão. Suas afirmações não representam necessariamente a opinião do Conselho Editorial da revista Impacto e podem até chocar o leitor. Entretanto, consideramos que o trabalho que faz e o preço que paga lhe dão pleno direito de ser ouvido, até nas suas críticas à igreja como está hoje. Pedimos, tão-somente, que o leitor pondere tudo com coração aberto e retenha o que o Espírito lhe vivificar. Seja impactado!
Cruzando ruas famosas pelo comércio especializado de produtos eletrônicos, nossa atenção era disputada por lojas com CPU’s, cd-rom’s, instrumentos de som e garotos deitados na calçada fumando cachimbos de crack. Prostitutas de várias idades faziam “ponto” em estreitas portas de hotéis imundos, ladeados por lojas com cartazes de “impressoras laser usadas em 3 vezes sem juros”.
Percorríamos o centro velho de São Paulo, região conhecida como Crackolândia, dada a facilidade de se verificar o uso de drogas a céu aberto. A visão de crianças entorpecidas é revoltantemente comum. Tradicionalmente descrito como antro de vício, prostituição e crimes violentos, o centro velho não muda a despeito dos planos municipais de revitalização. E nos últimos anos, a decadência e ruína estão mais profundas.
A Missão CENA
Um grupo de jovens seminaristas me acompanhava em uma visita à missão CENA (Comunidade Evangélica Nova Aurora). Encontramo-la instalada em um prédio antigo que serviu a um histórico clube de São Paulo. Uma grande fila de moradores de rua aguardava o início da distribuição de refeições. Ao passar por eles, fomos envolvidos por uma atmosfera de odores, cuja emanação ia do cheiro fétido de corpos sem banho ao agradável aroma da comida. A equipe, formada por gente de todo lado (recuperados, missionários brasileiros, suecos, ingleses, americanos...), estava a todo vapor: panelas chiavam na cozinha, esfregões e rodos limpavam o chão, organizadores ordenavam a espera pela refeição e as filas de banho. Na hora das refeições, os moradores de rua passam primeiramente pelos banheiros, estrategicamente posicionados. Banho primeiro, refeição depois. Nem todos gostam.
Assim que chegamos, nos deram serviço. O pessoal foi se envolvendo em algum afazer. Podado de dons que parecessem úteis, como eu ajudaria? Ocasionalmente utilizava um rodo (o maior que já vi!) para puxar a água do chão. Então piorou: pediram que eu pregasse, uma mensagem rápida de uns 5 minutos. Não me lembro do que falei, mas sim do esforço em escolher palavras adequadas. Foi difícil! Sentados diante de mim, aguardando a refeição, dezenas de moradores de rua oscilavam entre impaciência, torpor alcoólico ou um inesperado interesse. Público heterogêneo: homens e mulheres com históricos diversos: trabalhadores braçais que perderam o teto, profissionais especializados que sofreram decepções amorosas, portadores de doenças mentais e gente que nem se lembra mais como foi parar na rua.
Quando terminei, alguém sugeriu que me sentasse com os mendigos e conversasse. Movi a cabeça procurando um interlocutor. Um homem de idade indecifrável, estimo que de 30 a 50 anos, chamou-me a atenção. Mesmo após o banho, sua pele estava encardida e manchada, e o rosto grande e anguloso, emoldurado pelo cabelo desgrenhado, compunha uma selvagem aparência; parecia uma espécie de viking moreno.
Não demorou e desenvolvemos uma animada conversa. Ele explicou detalhadamente como conseguia CPF’s frios e outros documentos, tarefa que fazia com regularidade, para si e para outros. Um dos jovens que me acompanhava sentou-se conosco. Animado com o aumento da platéia, o homem contou sua história mais impressionante: sofrera um atropelamento há quase dez anos. Seus intestinos ficaram expostos enquanto sangrava sob as rodas do carro. Socorrido, foi levado ao Hospital da Santa Casa, onde passou por uma operação paliativa. Avesso ao ambiente hospitalar, fugiu antes da cirurgia definitiva. Abriu então a camisa, soltou uma faixa que o envolvia na região do abdômen e mostrou, a mim e a um assustado seminarista, como seu ânus estava agora na barriga, ao lado do umbigo. Apesar desse susto, os sentidos de meu coração foram adaptando-se, e pude perceber além da aparência: vi uma pessoa singular, vivaz e inteligente, feita à imagem de Deus, ainda que coberta com a fuligem da rua e tornada invisível pela indiferença da grande cidade.
Com as portas do carro travadas, vidros fechados e ar-condicionado ligado, cruzamos com eles sem vê-los. Mas ali, criadas à imagem de Deus e por ele amadas com obsessão, no espaço entre a pista e a calçada, vivem, moram e morrem pessoas singulares. E a distância entre nós não é medida em metros, mas em compaixão. Nossa compaixão as alcançará?
O Que Fazer?
A missão CENA tenta cobrir essa distância. Seu presidente, Pr. Paulo Cappelletti, é avesso a qualquer culto de personalidade. “Aqui não homenageamos ninguém. Na CENA há muito trabalho, não personalidades em evidência”, diz. A seu pedido, devo chamá-lo como é conhecido nas ruas: Macarrão.
Foi uma das melhores conversas que tive: atendeu-me prontamente, embora tivesse um compromisso dali a pouco tempo. “Vamos levar uma maca ginecológica para um prostíbulo. A ginecologista atende aqui no clube. Mas é difícil as garotas virem, só aquelas com muito vínculo com as missionárias. Fomos ao prostíbulo, conversamos com as meninas e sugerimos levar a ginecologista com a maca para fazer um exame papanicolau. O mais difícil foi explicar que o exame exige 72 horas sem ‘trabalhar’.”
Alto e grisalho, com voz forte e fala jovial, Macarrão exprime-se com uma franqueza desconcertante. Quando discutimos sobre o tempo que leva a recuperação de dependentes, ele responde: “Quanto a converter, eu mesmo estou tentando... não podemos deixar de enfatizar o processo de crescer em Cristo”. Ele apresenta casos em que o trabalho de recuperação durou mais de 10 anos.
Macarrão mora com seus dois filhos e a esposa Sílvia, que é assistente social, em uma casa família com mais 20 pessoas, todas elas tiradas das ruas. Tomei um café da manhã com eles, certa vez, e os vi lidando com problemas bem familiares, como estímulo a leitura e preparo para procurar emprego.
Agora ele está vestido com uma bermuda, camiseta e havaianas, e parece-se muito com algum dos atendidos pela missão. Sueli pergunta se ele vai se arrumar. “Vou a um prostíbulo”, responde bem-humorado. “Quanto mais malvestido, melhor...”.
Macarrão é famoso por pregar uma vez nas igrejas e não ser convidado de novo.
Na inauguração de um templo novo e luxuoso, não resistiu e trombeteou lá do púlpito:
“Segundo a escatologia pré-tribulacionista, este templo vai ficar pro diabo. Aqui deveria funcionar um albergue ou uma creche. Já que fez, use! Em vez de templos de uso exclusivo de uma igreja, deveríamos levantar prédios para uso comum dos cristãos, da sociedade e comunidade adjacente. O templo é um instrumento, não deveria ser um monumento erigido a nada. O movimento evangélico de hoje não se assemelha de jeito nenhum ao movimento do século XVI. Além disso, historicamente a Reforma se adequou aos ricos”.
Sem Máscaras
“A igreja perdeu o rumo. Ernst Kasemann, o teólogo, dizia já em 1931 que não podemos comparar o cristianismo atual com o Cristo Senhor. O que o cristianismo tem a ver com Cristo hoje? Kierkegaard também disse que o mundo religioso cristão é parecido com uma festa de máscaras”.
Kasemann e Kierkegaard? Uma citação surpreendente feita por um pastor que empurra uma mesa ginecológica rua acima. Profundidade intelectual, espiritualidade prática e uma atitude questionadora são características de Macarrão.
O Movimento de Jesus: em direção aos pobres
“Parte da razão de as igrejas não se interessarem pelo pobre é facilmente respondida: como vou pedir dízimo de um sem-teto, que vive na rua? Nós é que temos que dar nosso dízimo pra ele! Madre Tereza teria dito o seguinte: ‘Se houver pobre na lua, iremos até lá’. O movimento de Jesus é um movimento em direção aos pobres. Que não são muito diferentes de Jesus: ele não tinha onde morar ou o que comer. Se ele não era pobre, o que era então? A frase em meu orkut e msn é ‘aquele que quer pregar o evangelho aos pobres, tem que se fazer pobre como eles para que o reino de Deus apareça’. Quem prega o evangelho tem que conferir ao pobre alguma dignidade, uma possibilidade de vida nesta Terra, tornar sua vida melhor. Jesus deixou a sua riqueza para que os pobres pudessem ser ricos. Ele perdeu sua vida para que os pobres que morrem possam ter vida. A intenção do evangelho é esta: dar vida. E essa vida acontece fora, no convívio e no caminhar. Ajudando alguém a conseguir emprego, ‘batendo na porta’ das empresas junto com ele e mobilizando pessoas a ajudar e repartir seu dinheiro com os pobres.
Há sentido em 2.500 pessoas estarem dentro de um templo e ao final alguém dizer: ‘o culto foi maravilhoso!’? Maravilhoso em quê? Onde Deus se manifestou? O rico ficou mais pobre? O pobre ficou mais rico? Algum dos pobres da igreja teve ajuda para construir sua casa? Levantar a mão, ir à igreja, sentar no banco e ouvir um sermão, cantar as mesmas músicas todo domingo... Será que a vida cristã se resume a isso, uma espécie de monastério dominical? Eu não consigo viver assim.”
A Conversão Deve Ser do Coração
“A maioria dos pastores não se importa com aspectos essenciais do cristianismo, como moral ou mesmo perdão. Jesus disse em Mateus que se você tem algum problema com alguém, primeiro pede perdão e depois oferta. Minhas ofertas devem condizer com minha vida com Deus. Finanças não deveriam falar tão alto. Mas ouvimos sermões em que gente berrando condena pessoas que não dão o dízimo. Mesmo com tantas necessidades que experimentamos na missão, ouso dizer que o problema da igreja não é dinheiro: é um problema moral e, por que não dizer, de conversão.
“Não há uma conversão do coração, e sim uma conversão psicológica. Só isso explica andar pelo centro velho de São Paulo e não ter compaixão pelas pessoas caídas. Não dá pra viver um ‘evangelho’ que não se compadece das pessoas. Como alguém convertido de verdade poderia ver alguém passando fome e dizer: ‘eu vou orar por você...’. A julgar pelo que diz o apóstolo João, o que devemos é agir!”
À nossa volta, o cenário é de decrepitude e abandono, mas Macarrão fala com fé e entusiasmo sobre os planos da missão: uma creche para filhos de prostitutas, um projeto filantrópico para construção de casas populares...
Eu e minha turma rumamos pra casa. Vejo toda aquela gente embarcando no metrô lotado, corpos coladinhos, cada um vivendo um mundo tão distante um do outro! Eu não consigo imaginar Jesus fazendo outra coisa que não fosse envolver-se com as pessoas, chorar por elas, buscar os marginalizados. Todos que desejam ver Jesus caminhando em nossas esquinas e cortiços, condomínios e avenidas, farão das palavras finais de Macarrão uma oração:
“Não quero ser chamado de reformado nem de evangélico. Eu quero ser conhecido como cristão, porque quero seguir a Cristo. Quero ter ações na Terra que promovam a pessoa de Jesus.”
Obs. O Pr. Paulo Cappelletti está atualmente abrindo um novo trabalho nos mesmos moldes em outro local da Grande São Paulo.
Para maiores informações:
http://www.missaocena.com.br

por Eliasaf de Assis

Um Mito Que Não Morre - por Ezequiel Netto

A origem da Terra e do Universo

Qual é a idade da Terra? Quando surgiu o Universo? Eles surgiram ao mesmo tempo? A resposta a esses questionamentos não é tão simples assim. Os cientistas levaram quase 80 anos pesquisando, usando uma teoria ou outra, para chegar aos valores que temos atualmente.

A dificuldade inicial em estabelecer essas datas decorreu, principalmente, do fato de os cálculos ainda considerarem que o Universo era estático (não se movia). Mais tarde, perceberam que as galáxias estavam afastando-se e passaram a usar a velocidade desse afastamento para estabelecer o momento de nossa origem. E, com o aperfeiçoamento dos telescópios e a utilização de satélites modernos, todos esses cálculos foram refeitos até que os números atuais fossem estabelecidos.

Contudo, podemos, de fato, confiar nesses cálculos, mesmo que os cientistas digam que os números são “precisos” e “absolutos”? Os métodos utilizados são mesmo infalíveis? E por que são obtidos valores tão conflitantes entre os pesquisadores evolucionistas naturalistas, por um lado, e os criacionistas e defensores de planejamento inteligente, por outro?

Os métodos de datação usam, basicamente, duas técnicas distintas: a incremental e a radiométrica.

As técnicas que utilizam métodos incrementais baseiam-se nas avaliações de taxas de crescimento, formação ou erosão e permitem a reconstrução da cronologia ano após ano. Como exemplo, temos a contagem dos anéis de crescimento encontrados nos troncos das árvores, a variação do campo magnético da Terra ao longo das eras, como também a análise do acúmulo de sedimentos em rios e lagos.

Os métodos radiométricos, por sua vez, são baseados no processo de desintegração radioativa, no qual um elemento radioativo (pai) se transforma em outro elemento (filho) em um período de tempo previamente conhecido. O mais popular e citado na mídia é, sem dúvida, o que utiliza um isótopo radioativo de carbono que existe em todos os seres vivos, o Carbono-14. Esse método é considerado confiável até, no máximo, 70 mil anos, não sendo capaz de estabelecer datas de milhões ou bilhões de anos. Outro método radiométrico, um dos mais antigos e refinados, utiliza o Urânio-Tório-Chumbo.

A proposta evolucionista

Para estabelecer as idades de 13,7 bilhões de anos para o Universo e 4,56 bilhões para a Terra de forma “precisa e confiável”, como alegam os evolucionistas, os cálculos utilizariam valores absolutos que são praticamente impossíveis de obter. Então, parte-se para as “suposições” que podem comprometer o resultado obtido, como:

1. a taxa de desintegração de um composto radioativo em outro precisaria ser constante ao longo do tempo;

2. a quantidade de um elemento avaliado numa amostra não poderia ter sofrido acréscimo ou remoção ao longo de sua história, e a rocha precisaria estar em um ambiente completamente isolado de contaminações;

3. as quantidades dos elementos “pai” e “filho” na rocha original precisariam ser conhecidas.

O problema maior encontra-se nas pressuposições 2 e 3, pois, para que os cálculos sejam confiáveis, nada pode ter ocorrido no passado que tenha alterado a quantidade dos elementos estudados nem a velocidade de desintegração do mesmo. E assumir que as rochas ou outros materiais são sistemas completamente livres de contaminação é muito pouco provável, pois não existe nada conhecido pela ciência moderna que esteja num isolamento total.

Por esses motivos, os resultados obtidos por determinada metodologia precisam ser comparados com os alcançados por outros métodos de análise, já que em matemática (uma ciência exata) não podemos confiar em valores estabelecidos por pressuposições.

Veja como os métodos “científicos” estão sujeitos a erros: usando a datação pelo método do Carbono-14, a idade de árvores próximas a um aeroporto foi calculada em 10 mil anos; tartarugas do Lago Montezuma (Arizona, EUA) apresentavam 15 mil anos de vida; moluscos vivos foram considerados com idade de 2.300 anos; o “homem do gelo” (com data avaliada entre 4.600 e 8 mil anos), considerado o homem pré-histórico mais antigo da Europa, era, de fato, o corpo de um pescador que morreu nos anos 70 e foi reconhecido pela filha, na Suíça. Quanto ao “homem do gelo”, mesmo a história sendo desmentida há quase 10 anos, a mídia ainda a divulga como verdadeira.

Nada disso tira a validade do método; apenas significa que é possível apresentar resultados bastante equivocados. Daí, a necessidade de conferi-los com os de outras metodologias.

A proposta criacionista

Se forem considerados não apenas os métodos radiométricos, mas também os incrementais, os pesquisadores chegam a valores que apontam uma idade para a Terra muito mais jovem, com cerca de 10 mil anos (450 mil vezes menor que a proposta naturalista). Essa gama de valores é considerada muito mais provável pelos que acreditam no criacionismo ou na teoria do planejamento inteligente (além de ser completamente compatível com a narrativa bíblica).

É conhecido pelos astrônomos que os anéis de Saturno perdem parte de seu material a cada ano que passa. Calcula-se que, no máximo, em 18 mil anos de existência, eles teriam desaparecido. Então, por que eles ainda existem, quando se consideram idades na casa dos bilhões de anos para esse planeta? Os cometas, igualmente, têm vida muito breve, ou seja, de aproximadamente 9 mil anos (o que é uma idade mais de 1.500.000 vezes menor que a idade estabelecida para o sistema solar). Se existem cometas ainda hoje, e eles surgiram na mesma época que o sistema solar, só podemos concluir que a idade do sistema solar não pode ser maior do que 9 ou 10 mil anos.

Podemos analisar a idade da Terra também em relação à população humana. Considerando o início em Noé (as oito pessoas que estavam na arca) e um crescimento populacional anual de 0,5%, 4.300 anos seriam suficientes para chegarmos à população atual (o crescimento médio atual é de 2%); bastaria um crescimento de 0,35% para explicar a população de 300 milhões na época de Jesus. Por outro lado, se a população humana tivesse uma história de 1 milhão de anos, um crescimento mínimo de 0,1% teria resultado hoje em uma população tão grande que não caberia nem em todo o sistema solar.

Outro parâmetro importante é o acúmulo de poeira na superfície lunar. Se a lua tivesse 5 bilhões de anos, haveria um acúmulo de poeira cósmica entre 132 e 297 metros de espessura. Na realidade, os astronautas encontraram uma camada de pó com apenas 0,5 a 8 cm de espessura, o que equivaleria a uma idade de 7 a 8 mil anos.

Por fim, o estudo do encolhimento do diâmetro solar (de 1,52 m por hora) também oferece dados importantes. Aplicando essa taxa de forma retroativa, há 100 mil anos o Sol teria o dobro do tamanho atual. Há 20 milhões de anos, a superfície solar estaria tocando na Terra. Há “apenas” 1 milhão de anos, o Sol seria tão grande que não poderia ter existido vida no planeta Terra e, muito menos, evolução alguma.

Por que, então, insistem em apontar uma origem tão remota?

Por existirem tantas indicações de uma criação jovem, temos bons motivos para considerar que as idades menores, mais condizentes com as propostas que temos na Bíblia, são as mais coerentes com a realidade.

Por que, então, insistem em apontar períodos tão remotos para a origem da Terra e do Universo? Porque, segundo o próprio Darwin, a evolução, sem longos períodos de tempo, não teria a menor chance de ocorrer. A seleção natural necessita dessas longas eras. Sem elas, a teoria da evolução das espécies encontra-se desprovida do elemento mais importante para a sua credibilidade.

De acordo com Adauto Lourenço, “a ideia das longas eras tem impregnado de tal forma o pensamento atual que mesmo o mais óbvio dos argumentos contra tal proposta não é mais levado em consideração. O que temos visto é a repetição de uma proposta naturalista baseada em milhões e bilhões de anos que continua sendo apresentada vez após vez como verdadeira, mesmo quando a evidência científica lhe é contrária”.

Onde estavas tu quando eu criei a Terra? Diz-me, se tens entendimento! Jó 38.4



Fontes deste artigo e de informações adicionais
Adauto Lourenço, Como tudo começou , Editora Fiel
Dawlin A. Ureña, Evidencias científicas para uma Terra jovem (www.antesdelfin.com)
Dawlin A. Ureña, Quán antigua es la Tierra (www.antesdelfin.com)
Revista Super Interessante – (http://super.abril.com.br/superarquivo/1988/conteudo_111023.shtml)
http://www.umavisaodomundo.com/2009/07/qual-idade-terra-como-medir.html
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/a_saga_revivida_de_otzi_o_homem_do_gelo.html
http://criacionista.blogspot.com/2009/09/discrepancias-nos-metodos-de-datacao.html


por Ezequiel Netto

Onde Deus Está Agindo? - por Henry Blackaby

Você já quis conhecer e fazer a vontade de Deus?

Esse desejo não é algo que você possa produzir por conta própria. Quando recebe Jesus como Salvador e Senhor, você se une a ele na missão de reconciliar um mundo perdido com Deus. O próprio Deus cria em você o desejo de tornar-se um servo fiel.

Entretanto, Deus tem muito mais para sua vida do que simplesmente fazer algo para ele. O que ele quer experimentar com você é um relacionamento íntimo de amor que seja real e pessoal.

Como disse Jesus: "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17.3). A essência da vida eterna é conhecer Deus e Jesus Cristo.

Esse "conhecer", entretanto, não vem por meio de um programa, estudo ou método; vem pelo relacionamento com uma Pessoa. Somente um relacionamento íntimo de amor com Deus permite que ele revele a si mesmo, seus propósitos e seus caminhos. A partir daí é que poderá convidá-lo a unir-se a ele nos projetos em que já está operando.

Quando você responde ao convite, Deus realiza, por intermédio de sua vida, algo que só ele poderia fazer. Experimentando a ação divina dessa forma, você começa a conhecê-lo mais intimamente.

Se quisermos aprender como se pode conhecer e fazer a vontade de Deus, não existe modelo melhor do que aquele que Jesus praticou. Durante seus 33 anos na Terra, ele nunca deixou de fazer a vontade de Deus. Nunca pecou. Completou com perfeição cada uma das tarefas que o Pai lhe entregou.

Mas como ele sabia o que fazer? "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também", disse Jesus. "Em verdade, em verdade vos digo que o Filho de si mesmo nada pode fazer, senão o que vir o Pai fazer; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama ao Filho, e mostra-lhe tudo o que ele mesmo faz" (Jo 5.17,19-20).

O que Jesus descreveu não foi uma abordagem passo a passo para aprender a conhecer e fazer a vontade de Deus, mas um relacionamento de amor por meio do qual Deus realiza seus propósitos. Quando você tiver um relacionamento íntimo de amor com Deus, ele lhe mostrará o que está fazendo. Então, sua tarefa será seguir o exemplo de Jesus e participar daquilo que o Pai já está fazendo.

Podemos sintetizar o modelo de Jesus desta maneira: observe onde Deus está agindo e junte-se a ele!

DESCOBRINDO ONDE DEUS ESTÁ AGINDO

Quando eu pastoreava a Igreja Batista da Fé em Saskatoon, Canadá, começamos a sentir que Deus estava dirigindo-nos a evangelizar no campus de uma faculdade ali perto. Seguindo a recomendação do ministério a universitários da nossa denominação, tentamos, por quase dois anos, começar um estudo bíblico nos dormitórios. Não funcionou.

Num domingo, reuni nossos estudantes e disse-lhes: "Nesta semana, quero que vocês vão ao campus e observem bem onde Deus está agindo — e aí juntem-se a ele".

"O que você quer dizer?" perguntaram eles.

Então, eu lhes disse que Deus tinha colocado no meu coração dois textos das Escrituras. O primeiro era Romanos 3.10-11: "Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus”. O segundo era João 6.44: "Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer”.

"De acordo com essas passagens", expliquei, "ninguém vai procurar Deus por sua própria iniciativa. Ninguém fará perguntas de natureza espiritual a menos que Deus esteja agindo em sua vida. Quando acharem alguém buscando a Deus ou fazendo perguntas sobre assuntos espirituais, é sinal claro da ação de Deus."

Mais uma vez, Jesus é o exemplo perfeito. Quando passava por uma multidão, ele sempre procurava identificar o lugar onde o Pai estava agindo. A multidão não era a seara; a seara estava dentro da multidão.

Um dia em Jericó, Jesus viu Zaqueu numa árvore. Possivelmente, tenha dito para si mesmo: "Ninguém poderia me buscar com tanta determinação se meu Pai não estivesse trabalhando em seu coração". Por isso, Jesus afastou-se da multidão e disse: "Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa" (Lc 19.5).

O que aconteceu? Naquela noite, a salvação chegou àquela casa.

Jesus sempre procurava a atuação do Pai e, imediatamente, juntava-se a ele. A salvação vinha como resultado de Jesus juntar sua vida à atividade do Pai.

"Se alguém começar a lhe fazer perguntas de natureza espiritual, cancele tudo o mais que tiver planejado", eu disse aos estudantes. "Acompanhe aquela pessoa e procure descobrir o que Deus está fazendo na vida dela."

E, assim, os estudantes foram ao campus para descobrir onde Deus estava agindo a fim de saber o que deviam fazer para se juntarem a ele. Na quarta-feira, uma das jovens nos contou: "Uma moça que é minha colega de classe há dois anos veio me procurar depois de uma aula hoje. Ela disse: 'Eu acho que você é cristã. Preciso falar com você’. Lembrei-me então do que você nos disse, Henry. Eu tinha uma aula importante, mas faltei. Então, fomos até a lanchonete para conversar. Ela disse: 'Somos um grupo de 11 moças no dormitório e temos estudado a Bíblia, apesar de nenhuma de nós ser cristã. Você conhece alguém que possa dar um estudo bíblico para nós?' "

Como resultado daquele contato, iniciamos três grupos de estudo bíblico no dormitório feminino e dois no masculino.

Durante dois anos, havíamos tentado fazer algo para Deus e falhamos. Depois de três dias procurando sinais da ação de Deus, vimos onde ele estava agindo e juntamo-nos a ele. Que diferença!

Nos anos seguintes, muitos estudantes aceitaram Cristo como Salvador. Muitos deles se entregaram a um ministério de tempo integral e agora estão servindo como pastores e missionários em todo o mundo.

Parte de um artigo traduzido da Revista Charisma (www.charismamag.com) da edição de maio 1995, e publicado na Revisa Impacto, edição nº 6, julho/agosto 1999.


por Henry Blackaby

Perdão Total - Matéria de Capa - por R. T. Kendall

O que não é:
1.Aprovar o que o ofensor praticou. Deus nunca aprovou o pecado dos homens. Ele odeia o pecado. Expulsou Adão e Eva do Jardim, mas antes lhes preparou vestimentas de peles. No Novo Testamento, Jesus perdoou à mulher adúltera, mas não aprovou o que havia feito. “Deixe a sua vida de pecado”, ele lhe ordenou (Jo 8.11).
2.Negar que houve ofensa. Tentar reprimir ou apagar a memória não traz cura e quase sempre causa conseqüências negativas. É uma forma de fugir da realidade. Perdão total só pode ser oferecido depois que se encara o fato de frente e reconhece o que aconteceu. Paulo afirma que o amor “não se ressente do mal” (1 Co 13.5, Edição Revista e Atualizada), que “não guarda rancor” (NVI) ou, ainda, que “não guarda registro de ofensas” (tradução literal da NVI em inglês). Isso, porém, não significa que é preciso fechar os olhos diante da ofensa; apesar de reconhecer e confrontar o erro, o amor não o leva em conta, não guarda uma lista com as mágoas ou pontos negativos da outra pessoa.
3.Desculpar o que o ofensor fez. No deserto, o povo de Israel passou dos limites até da longanimidade de Deus, em Números 14. Deus falou com Moisés que queria destruir toda a nação e começar tudo de novo. Quando Moisés intercedeu em favor do povo, ele não apresentou nenhuma desculpa ou justificativa pelo erro deles; apenas apelou para a misericórdia divina (Nm 14.19).
4.Isentar o ofensor das conseqüências do seu erro. Podemos perdoar um criminoso por seu ato contra nós ou contra uma pessoa próxima a nós; mesmo assim, devemos denunciá-lo à justiça ou testemunhar contra ele, se for necessário.
5.Reconciliar-se com o ofensor. Perdão abre o caminho e visa obter reconciliação, mas não é a mesma coisa. Uma pessoa prejudicada pode perdoar a um ofensor mesmo sem ser reconciliada com ele. O perdão depende somente de um lado; a reconciliação, de ambas as partes envolvidas.
O que é:
1.Estar consciente da ofensa de alguém, e perdoar-lhe sem tentar negar, encobrir, desculpar ou fugir do fato ocorrido.
2.Fazer uma escolha para não guardar registros das ofensas contra nós (1 Co 13.5). Muitos casais guardam memória daquilo que o outro cônjuge fez há vários anos e o levantam cada vez que há uma nova discussão. Perdão não é ignorar, nem necessariamente esquecer, no sentido literal de não ter mais memória. É a escolha de não guardar a lista, de não usar os erros passados para incriminar o outro, nem em palavras, nem nos pensamentos ou coração. Perdão total não é um sentimento – pelo menos no princípio –, é uma decisão da vontade. É a escolha de rasgar nossa lista de ofensas que guardamos contra outra pessoa. É arrancar a raiz da amargura, antes mesmo que chegue a fixar-se no nosso coração. É um estilo de vida, uma atitude que precisa ser tomada conscientemente, dia após dia.
3.Não usar qualquer tratamento negativo para castigar o ofensor. Perdão total é doloroso. Custa caro abrir mão de toda espécie de vingança (fazer a pessoa pagar por ignorá-la, não conversar com ela, desprezá-la ou tratá-la mal). Causa-nos revolta pensar que a pessoa vai ficar isenta, que não sofrerá nada em conseqüência do mal que praticou, que ninguém ao menos saberá o que ela fez. Porém, quando reconhecemos plenamente o que a pessoa fez e aceitamos de coração que ela seja abençoada sem pagar nada pelo erro, atravessamos a fronteira para a esfera sobrenatural, para sermos semelhantes a Jesus.
4.Não contar a ofensa da pessoa aos outros. A única exceção a essa regra é quando você precisa procurar ajuda de alguém para superar sua ferida. Neste caso, é preciso procurar uma pessoa responsável que realmente tenha perspectiva bíblica para conduzi-lo ao perdão total, não um colega ou amigo que só reforçará ainda mais seus sentimentos de vítima injustiçada. Contar os erros de outra pessoa é uma forma de castigá-la. Precisamos lembrar que nossos próprios erros foram perdoados por Cristo na cruz e que quando os pecados são cobertos pelo sangue de Jesus, (1) ficamos isentos de qualquer castigo da parte de Deus e (2) ninguém mais ficará sabendo a respeito deles. Como, então, posso sair contando os pecados de outra pessoa, se Deus não me tratou assim?
5.Uma condição interior. Perdão total jamais poderá ser uma mera confissão ou declaração de palavras, sem uma verdadeira mudança de atitude interior. É por isso que perdão não depende de correspondência da outra parte, diferentemente do que ocorre com reconciliação. Quando há perdão total, independe da reação da outra pessoa. Não preciso ficar naquele jogo de definir quem deveria tomar a iniciativa. Não importa quem errou mais, quem teria a maior responsabilidade ou se você nem acha que errou. Perdão total é unilateral – se resulta em reconciliação, ótimo, pois esse é o desejo final de Deus. Porém, se não resultar em reconciliação, da mesma forma você fica livre de amargura, e o ofensor também se livrará de ser condenado por você. Mesmo que não seja restaurado o relacionamento, seu coração não terá mais rancor ou amargura. Estar livre no coração traz confiança no nosso relacionamento com Deus (1 Jo 3.21).
Extraído e adaptado do livro “Total Forgiveness” (Perdão Total), R. T. Kendall, Charisma House, 2002.

por R. T. Kendall

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Simplicidade e o Impacto da Igreja na Sociedade - por Christopher Walker

Não é tarefa difícil encontrar na história da Igreja exemplos de pessoas que demonstraram um estilo de vida simples. Aliás, é difícil, senão quase impossível, pensar em alguma personagem que deixou uma forte marca na igreja e no mundo que não tenha, de alguma forma, andado na contramão dos costumes e práticas da sociedade de sua época. Num tempo em que as diferenças entre a igreja e a sociedade contemporânea estão quase desaparecendo e os cristãos são incentivados a buscar prosperidade material como evidência do favor de Deus, vale a pena refletir um pouco sobre a nossa linhagem histórica para ver como nossos irmãos do passado viviam neste mundo.

 Modelos Individuais

 Apenas para dar uma pequena amostragem do que a História nos oferece, veja os seguintes exemplos:

 João Wesley (1703-1791) – fundador do metodismo. Quando era jovem, João Wesley calculou que vinte e oito libras por ano (cerca de 65 dólares) cobririam suas necessidades pessoais. Visto os preços permanecerem basicamente inalterados, ele conseguiu manter esse nível de gastos durante toda a sua vida. Na época em que tomou essa decisão, sua renda era de trinta libras por ano. Porém, com o passar do tempo, Wesley escreveu e publicou vários livros, a venda dos quais chegou a lhe render mil e quatrocentas libras por ano. Mesmo assim, ele continuou a viver com apenas vinte e oito libras, usando todo o excedente para doar a necessitados ou à obra de Deus! A simplicidade era seu "estilo de vida"!

 Certa ocasião, ele disse à irmã que dinheiro nunca ficava com ele, pois se ficasse o queimaria. Ele dizia a todos que, se quando morresse tivesse consigo mais do que dez libras (cerca de vinte e três dólares), as pessoas teriam o privilégio de chamá-lo de ladrão. Quase no fim da vida, ele escreveu em seu diário muito simplesmente: "Não deixei dinheiro algum para ninguém em meu testamento porque não tinha nenhum".

 J. Hudson Taylor (1832-1905) – missionário à China, fundador da China Inland Mission (Missão para o Interior da China), que, antes de sua morte, havia levado mais de oitocentos missionários àquele país. Depois de sua chamada, enquanto se preparava para partir em sua missão, Taylor saiu de sua casa confortável e foi morar num bairro carente para trabalhar com um médico, aprendendo a suportar dificuldades e a economizar a fim de ajudar as pessoas necessitadas.

 Disse ele: "Logo descobri que podia viver com muito menos do que antes achara possível. Manteiga, leite e outros luxos, deixei de usar, e descobri que, se vivesse principalmente de aveia e arroz, com variações ocasionais, bastava uma quantia muito pequena para as minhas necessidades". Dessa forma, ele pôde usar dois terços de sua renda para outras finalidades. Escreveu ele: "Minha experiência foi que quanto menos eu gastasse comigo mesmo e quanto mais eu desse aos outros, mais cheia de felicidade e bênçãos minha alma se tornava." Foi ali também que aprendeu a depender de Deus somente e a não falar com ninguém sobre suas necessidades, princípio que usou durante todo o seu ministério na China.

 No campo missionário, logo assumiu uma postura totalmente diferente de outros missionários, que mantinham seu estilo de vida ocidental, viviam nas cidades grandes e não se misturavam com o povo humilde das vilas no interior. Embora fosse muito criticado pelos colegas missionários, adotou os costumes chineses da época, usava roupas iguais às deles e deixou seu cabelo crescer para usá-lo com tranças como os homens chineses faziam. O preço que pagou foi muito alto, pois perdeu vários filhos e sua primeira esposa, que morreu com 33 anos. Mas deixou um grande impacto naquele país e um testemunho que inspira cristãos no mundo inteiro até hoje.

 Conde Zinzendorf (1700-1760) – fundador da comunidade dos morávios, origem do movimento missionário dos séculos XVIII e XIX. Membro da nobreza alemã, foi tocado por Deus ainda jovem. Ao ver um quadro de Cristo coroado de espinhos, com as palavras: "Tudo isto fiz por ti. O que fazes tu por mim?", tomou a decisão de dedicar toda sua vida à causa de Jesus. Uma das primeiras coisas que fez foi oferecer suas terras para acolher cristãos perseguidos vindos de várias partes da Europa. Acabou deixando suas responsabilidades na corte para se dedicar totalmente a esse grupo fragmentado de cristãos briguentos e divisivos. O resultado foi um maravilhoso mover de Deus que uniu a comunidade e gerou missionários que saíram dali a diversas partes do mundo.

 O Conde Zinzendorf foi o jovem rico que, ao contrário daquele no evangelho, disse sim a Jesus. Não é preciso ser pobre para levar uma vida simples. Zinzendorf usou seu patrimônio e seus recursos para a causa que consumia todo o seu ser. Seu lema era: "Tenho uma única paixão: Jesus, ele e somente ele". Esta é a essência da simplicidade: ter um alvo único, em função do qual tudo é direcionado.

 Para alcançar os membros de sua comunidade, Zinzendorf saiu de sua função "importante" na corte e mudou-se da mansão da propriedade para uma academia mais próxima às pessoas. Anos depois, foi exilado e chegou a passar necessidade, junto com sua família. Sua paixão por Cristo foi reproduzida, porém, em toda uma comunidade cujo lema era: "Conquistar para o Cordeiro que foi morto a recompensa dos seus sofrimentos".

 Testemunho Coletivo

 Além desses exemplos individuais (tantos outros poderiam ser citados e merecem ser estudados, como Ambrósio, os Capadócios, Tereza e João de Ávila, George Müller, Henry Nouwen e outros) temos também na História movimentos inteiros que adotavam um estilo de vida contrário ao da sociedade da época. Os testemunhos individuais são importantes, porém nem sempre servem de modelo a todos porque podem representar chamados singulares ou diferentes. Nem todos, por exemplo, poderão ser um Francisco de Assis, que viveu totalmente fora do sistema de bens e possessões, ou um Rees Howells (veja revista Impacto, edição 41), que se dedicou à intercessão, levando uma vida de total abnegação e privando-se voluntariamente até de direitos e recursos básicos. Contudo, o testemunho coletivo tem outro impacto. Imaginem o que Deus pode fazer através de todo um povo andando na contramão no meio de uma sociedade escravizada pelo materialismo, pelo egoísmo e pela busca de prazer!

 Como exemplos de movimentos que procuraram, com todas as suas imperfeições, viver uma vida alternativa, podemos citar as diversas ramificações dos anabatistas (menonitas, morávios e "irmãos livres" ou "brethren"), os metodistas das primeiras décadas e os quacres (ou Quakers).

 Os anabatistas, por exemplo, criam que seguir a Jesus era uma decisão pessoal (impossível de ser feita pelos pais através do batismo de bebês) e que tinha conseqüências drásticas na vida prática. Criam também que o caminho do discipulado cristão não era uma jornada individual, mas que precisava ser tomada no contexto de uma comunidade de crentes. A partir desses fundamentos, surgiram vários tipos de práticas coletivas, de acordo com os diversos grupos e épocas, tendo em comum o não-conformismo com o mundo, o desejo de praticar de algum modo o reino que Jesus veio implantar.

 Os Quacres

 Depois dos menonitas e, especialmente, da ramificação conhecida como os amish (que ganhou um destaque especial depois de aparecer em filmes como A Testemunha, com Harrison Ford), um dos grupos mais conhecidos na história como protagonistas do estilo de vida simples é o dos quacres, ou Sociedade dos Amigos, como eles mesmos se chamavam originalmente.

 O fundador desse movimento foi George Fox (1624-1691), um pregador radical na Inglaterra, cuja vida e testemunho raramente recebem tratamento adequado nos livros e cursos de História da Igreja. Depois de uma verdadeira experiência com Deus, Fox começou a anunciar a todos, cristãos nominais ou não, a mensagem revolucionária do cristianismo genuíno, tão oposta à religiosidade superficial das igrejas anglicanas oficiais. Entre outras coisas, ele afirmava que Cristo era uma realidade presente e atual, não apenas uma história registrada na Bíblia. Deus fala hoje à nossa situação e condição humana, através de Cristo, e sua presença pode ser sentida e experimentada por todos aqueles que realmente nascem de novo.

 Logo, muitas pessoas sedentas por toda parte estavam abraçando a mensagem e procurando viver o "cristianismo primitivo", como Fox o chamava. No desejo de serem fiéis à voz e à luz de Cristo, adotaram diversos princípios de vida, totalmente contrários às normas da sociedade da época, e por causa dos quais passaram a ser duramente perseguidos.

 Alguns dos seus princípios podem parecer estranhos para nós hoje, como a insistência em não tirar o chapéu diante de autoridades humanas e o uso de pronomes arcaicos (como thou e thee, como se falássemos com as pessoas hoje usando tu e vós, em português). Tudo, porém, era conseqüência de convicções baseadas em princípios do ensinamento de Jesus, de não dar honras exageradas a figuras humanas e de tratar todos com igualdade.

 No âmbito deste artigo, queremos nos limitar apenas à vida de simplicidade dos quacres. Na questão de vestimenta, o princípio era fugir de qualquer tipo de adorno considerado ostensivo, pomposo, frívolo, vaidoso ou indecente. Faziam questão de não mudar sua maneira de vestir para acompanhar as mudanças da moda. Depois de algum tempo, como geralmente acontece, passaram a adotar um estilo de vestimenta mais padronizado, sempre com tons de cinza, de tal forma que um quacre podia ser facilmente identificado (e geralmente desprezado) pelas roupas que usava.

 A simplicidade, porém, embora muitas vezes associada pelos de fora com o estilo de roupa, era muito mais do que isso. Veja a seguir algumas citações que expressam as suas convicções e o que procuravam praticar nessa área:

 Procure viver com simplicidade. Um estilo de vida simples adotado por livre escolha é uma fonte de grande força. Não seja persuadido a comprar algo que não seja necessário ou que esteja além do seu orçamento. Você se mantém informado sobre o efeito que seu estilo de vida tem sobre a economia e o meio-ambiente global? (De "Advices and Queries" (Conselhos e Indagações), uma espécie de cartilha das convicções dos quacres.)

 Procuramos "viver com simplicidade para que outros possam simplesmente viver". Isso nos permitirá doar mais para causas valiosas. Teríamos muita dificuldade para gastar dinheiro em roupas de grife ou refeições caras, sabendo que pessoas estão morrendo de fome em vários lugares do mundo. (De uma instituição de educação quacre contemporânea.)

 Simplicidade não diz respeito tanto ao que nós possuímos, mas ao que nos possui... Se nosso tempo, dinheiro e energia forem gastos em escolher, adquirir, manter; se nos ocuparmos em falar sobre nossas posses, então sobrará pouco tempo, dinheiro e energia para outras ocupações, tais como a obra que fazemos para levar adiante a Comunidade de Deus. (Charles Hadley Snyder, 1991.)

 As verdadeiras raízes da simplicidade não se encontram em economizar dinheiro ou evitar uma exibição de riqueza – por mais benéficas que sejam essas virtudes. Fundamentalmente, o testemunho de simplicidade é espiritual. Se o foco principal da vida for harmonizar tudo em torno das instigações que vêm da Luz Interior, então tudo que desvia atenção desse foco precisa ser podado. Tudo que é supérfluo ao objetivo principal da vida precisa ser removido, se quisermos alcançar plenamente nosso objetivo. (Quaker Strongholds, 110.)

 O perigo nesta área é identificar a obediência a Cristo com alguns padrões exteriores de simplicidade. Como sabemos, isso acabou acontecendo em todos os grupos que começaram a viver um estilo de vida alternativo como resposta à voz do Espírito. Mantiveram as tradições, mesmo depois de perdida a luz interior. No entanto, o impacto do testemunho coletivo desses movimentos na sociedade através dos séculos é impossível de ser plenamente avaliado. Juntamente com outros fatores incluídos na sua maneira de viver, a vida honesta e simples de anabatistas, menonitas, metodistas e quacres, entre outros, afetou profundamente as sociedades da Inglaterra, Europa continental e Estados Unidos, em dimensões totalmente além dos seus números.

 Ainda que hoje a maioria desses movimentos tenha perdido sua vitalidade interior, mantendo apenas a forma exterior dos costumes (e, outras vezes, nem isso), há muitos exemplos de pessoas contemporâneas que foram marcadas pelo testemunho das gerações passadas e que redescobriram a origem de suas convicções. Como exemplos, posso citar Richard Foster, conhecido autor e conferencista quacre (veja artigos dele na página 6 desta edição), e minha própria mãe, Ruth Walker, que foi criada num lar quacre e que passou para todos os seus filhos um modelo genuíno e verdadeiro de simplicidade cristã.

 Deus ainda pode fazer grandes coisas através de pessoas que correspondam à sua voz e que tenham coragem de caminhar na direção contrária ao mundo em que vivem – e coisas maiores ainda quando seu povo fizer isso coletivamente! 
 Christopher Walker faz parte do Conselho Editorial da revista Impacto e reside em Americana, SP. E-mail: escamer@dglnet.com.br


por Christopher Walker